Vigia noturno: o guardião da praia limpa

Estava refletindo se algumas erradas que fazemos, também seriam feitas se estivéssemos sendo observado. Não sei quanto aos outros, mas eu teria agido completamente diferente com alguém olhando. Se o mundo fosse um gigante “Big Brother”, provavelmente nossa relação com o meio ambiente também seria completamente outra. Porém, se deixarmos nossos sentidos mais apurados, perceberemos que estamos sempre sendo vigiados.

Vigia NoturnoEstava caminhando pela praia de Atlântida, em Xangri-Lá, neste belo final de tarde de outono, desta quarta-feira, quando senti necessidade de me livrar do chicle que estava mascando. Antes de joga-lo fora, tive a sensação de estar sendo observado, o que fez com que ainda não o jogasse, com receio de um provável olhar de nojo, repreensão e constrangimento. Olhei em volta e não tinha ninguém, a praia estava deserta. Foi neste exato momento, agora mais atento, que notei uma placa com o aviso intimidador, em letras garrafais, avisando para não jogarmos detritos na praia. De qualquer forma, uma placa não tem tanto poder, além de advertir ou lembrar nossa consciência moral, já que ninguém tá olhando. Foi então que notei algo logo acima da placa, me observando atentamente com seus olhos negros e profundos, quase hipnóticos, uma coruja. Ela estava justamente acima da placa, como um vigia da praia, um verdadeiro guardião.

Engoli o chicle! Peguei o celular e registrei o momento, a fim de me lembrar de nunca fazer nada que eu não faria se tivessem me observando, porque mesmo que eu não perceba, sempre haverá alguma forma de vida observando, julgando, advertindo ou agradecendo, como fez a coruja comigo.