Questionando a Ciência

Quando surgiu a oportunidade de escrever um artigo com o tema sobre ciência e tecnologia, que nosso professor de filosofia solicitou para a elaboração desta revista, comecei a ler muitos artigos, reportagens e capítulos de livros sugeridos em aula, tudo relativo à ciência e tecnologia e, assim,  ter idéia do que escrever. Essas leituras me levaram a um universo que, até então, era muito restrito para mim. Não possuía conhecimento suficiente para poder criticar e escrever com mais profundidade este tema. Como as leituras transparecem, muitas são as interrogações, as quais não me proponho a responder, mas apenas refletir sobre elas.

Assim resolvi pensar em qual seria o limite da ciência, sobre até onde podemos chegar munidos que somos de cérebro finito. Afinal como podemos responder tantas perguntas se mal sabemos formulá-las. E, mesmo que soubéssemos, será que existe um limite máximo do conhecimento, uma espécie de barreira além da qual nossa razão não pode penetrar?

Será que é justamente a existência dessa barreira que justifica o nosso apetite por assuntos espirituais, místicos, que transcendem os limites da razão?

Sem a menor dúvida, nos últimos 400 anos a ciência progrediu imensamente, revelando mundos absolutamente fantásticos e inesperados. Essa evolução aconteceu e ainda acontece partindo da formulação de perguntas simples que podem ser respondidas de formas muito complexas. Por exemplo, se me perguntassem do que é feita a mesa que usei para escrever esse artigo, poderia responder que é feita de madeira. A resposta é correta, mas pode não satisfazer totalmente a curiosidade de uma mente inquietadora. “Mas do que é feita a madeira?” seria a próxima pergunta. Uma seqüência de perguntas desse tipo nos leva logo a fronteira do conhecimento científico no mundo microscópico.

A madeira é feita de moléculas e estas são compostas de átomos. Os átomos são formados por um núcleo pesado, contendo prótons e nêutrons, com elétrons orbitando ao seu redor. Hoje sabemos que os prótons e nêutrons são formados por outras partículas, denominadas quarks e gluons, mas será que termina aqui do que é realmente é feita a mesa?

Seria inútil tentar fazer justiça as nossas descobertas nesse artigo ou mesmo em outro ainda maior. O próprio sucesso da ciência redefine seus limites, como um horizonte que se afasta continuamente. Acho que um dia, devido a esse sucesso teremos todas as respostas.

Tive um professor que sempre dizia, sabiamente, que, se usarmos um chapéu maior do que nossa cabeça, ele cobrirá os nossos olhos. Acho importante manter isso em mente quando lidamos do conhecimento humano.

Vou começar de modo bastante abstrato, falando da quantidade total de informação: supondo que o universo seja finito, ele tem uma quantidade finita de informação.

O que sabemos até hoje é que o universo é muito grande. Nossa galáxia Via Láctea contém cerca de 100 bilhões de estrelas. O universo contém bilhões de galáxias. Então, mesmo se ele não for infinito (o que é bem mais provável), e com nossa comunicação viajando no máximo a velocidade da luz (até que provem ao contrário), como faremos para saber tudo o que ocorreu universo de 14 bilhões de anos? O máximo, eu acredito, que conseguiríamos de informação seria apenas o um evento que ocorreu a 14 bilhões de anos. 

O problema é que a complexidade do universo me parece tamanha e os arranjos de matéria tão variados que seria impossível poderem armazenar conhecimento sobre tudo o que existe, vive e ocorre no universo.

E, talvez por esse motivo, que os cientistas constroem seus modelos sobre fenômenos naturais de forma aproximada, deixando de lado “detalhes” irrelevantes. Por exemplo, por que duas massas sentem uma força atrativa, que chamamos de gravidade? Não sabemos.

No livro “Para compreender a Ciência” (Marla Amália, et al. Cap. 14) ,  mostra que Newton  em 1687 obteve uma fórmula descrevendo como dois corpos se atraem: com uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado de sua distância. Mas Newton não saberia dizer por que as duas massas se atraem.

Em 1915, Albert Einstein propôs a sua teoria da gravitação, onde essa atração se deve à curvatura do espaço em torno das massas. Porém ele também não saberia explicar por que a presença de uma massa encurva a geometria do espaço à sua volta.  A ciência explica o “como”, não o “porquê”.

Voltando a questão da barreira do conhecimento, eu não acredito que ela exista. Ou se existe, ela tem uma fronteira móvel, que vai se alargando com o tempo. Quanto mais aprendemos sobre o mundo e sobre nós mesmos, mais aprendemos o quanto não sabemos.

A natureza é muito mais esperta do que nós, com as nossas explicações de como isso ou aquilo funciona. Afinal, nós também somos produtos de sua criatividade, o que necessariamente implica que seremos sempre incapazes de compreende-la em sua totalidade.

Se existe algo aqui interessante é a nossa capacidade de aprender tanto sobre o mundo, dadas nossas limitações.

Algumas questões, especialmente aquelas ligadas a origens, desafiam a nossa imaginação: será que algum dia iremos entender como e porque surgiu o universo, a vida e a mente? Acredito que sim, mas não antes de surgirem outras perguntas “impossíveis” de serem respondidas.