Mercado de luxo nacional

 


Mercado de luxo nacional avança e envolve novos nichos de produtos e serviços

O crescimento do mercado de luxo e a perspectiva da expansão de algumas grifes têm alavancado um segmento no Brasil: o da profissão de comprador (buyer, ou shopper) – pessoa especializada na escolha de coleções. A atividade é comum em outros países, como a Turquia.

Viajar para diversos lugares para acompanhar, no mundo da moda, as novidades em desfiles luxuosos e responder pela escolha das coleções que estarão nas prateleiras das lojas que lançam tendências. Para muitas mulheres, essa é a descrição de um conto de fadas moderno. Porém, já virou realidade de quem hoje atua no ramo do comércio de grifes de luxo. O fashion buyer, ou fashion shopper (comprador de moda, em tradução livre), profissional disseminado na Turquia, começa a chamar a atenção no Brasil, com o aumento da parcela da população que compõe as classes A e B.

De modo geral, o setor de luxo deve movimentar mais de R$ 20,94 bilhões neste ano, ante os R$ 15,73 bilhões em produtos de luxo gastos pelos brasileiros em 2010. O potencial de consumo no País chega R$ 71,3 bilhões.

“A verdade é que vivemos uma década de transformação do mercado de luxo no mundo, e principalmente no Brasil. Este setor, outrora reservado a bem poucos, se expandiu”, diz Carlos Ferreirinha, organizador da feira AtuaLuxo, da MCF Consultoria.

Diante desse cenário, o mundo da moda viu ampliar-se o leque de produtos, serviços, e atuação, e a profissão de shopper chama a atenção. De acordo com Martha Graeft, que trocou há cinco anos o interior do Rio Grande do Sul por Istambul – uma das cidades mais belas da Turquia -, o segmento é um dos que mais crescem graças ao aumento do consumo global de roupas de luxo.

Para ela, a ideia de trabalhar como shopper surgiu por acaso, devido à sua antiga profissão de modelo. Agora, Martha atua como representante em uma rede de luxo na Turquia e sua responsabilidade é colocar nas prateleiras tudo o que for virar tendência no mundo fashion.

Apesar de todo o glamour que possa envolver a atividade, a gaúcha explica que a profissão requer dedicação: é preciso acompanhar os grandes desfiles, e o profissional é responsável pelos produtos do que estarão nas vitrines. Por isso, é indispensável ser ligada aos acontecimentos internacionais e às mudanças culturais.

“Para se tornar um profissional com este perfil é necessário entender de moda, além dos trâmites da área de venda, logística, e, principalmente, do comportamento do consumidor. É preciso apostar também em promoções e analisar o calendário da moda.”

A brasileira acredita que, com a exposição de estilistas brasileiros, haverá uma popularização da função no mercado nacional, e que esta deve se tornar uma atividade bastante disputada.

No Brasil, as empresas de vestuário e acessórios têm percebido que é preciso investir em atendimento, teste de produtos e disposição das lojas para atrair o consumidor final. Além disso, cresce a importância de bons estilistas, costureiros e vendedores.

Diante desta nova configuração, tanto as lojas multimarcas e de departamentos como as que trabalham com as grandes grifes de roupas, sapatos, acessórios e joias sabem que contar com um especialista capaz de equilibrar preço, qualidade, atendimento e um serviço de pós-venda na medida certa, pode fazer a diferença para o negócio.

 

Varejo tradicional

Enquanto no mundo da moda existe uma demanda crescente por buyers e shoppers, no varejo tradicional a profissão ainda não granjeou popularidade.

Mas, de acordo com Stella Kochen Susskind, presidente da consultoria Shopper Experience, a profissão de Martha – a gaúcha responsável por parte do que as turcas irão vestir na próxima estação – é mais comum do que se possa imaginar, no caso do varejo tradicional. “Todas as grandes redes têm esses compradores. Esta moça [a Martha] é um caso à parte, pois está inserida no mundo de marcas de luxo. Afinal, aqui no Brasil os compradores ainda têm de passar o dia recebendo representantes, muitas vezes, fechados em salas de reuniões, para escolher as novas coleções. Não tem nada de glamour”, brinca.

Segundo Stella, mais importantes do que o aumento dessa profissão entre as redes varejistas brasileiras são questões como hábitos de compra e atendimento ao cliente. Por isso, ela destaca o aumento da procura pelos serviços de sua consultoria, nos quais são selecionados consumidores para visitarem as lojas, hotéis e supermercados, em dias e horários alternados, para avaliarem a qualidade de produtos e serviços. “No varejo de luxo, por exemplo, podemos pedir ao cliente para visitar uma loja da joalheria Tiffany, simular uma compra e analisar todo o atendimento. Isso também pode acontecer em uma loja de carros ou de roupas”, esclarece a executiva brasileira. A empresa, pioneira no Brasil em pesquisas com a metodologia “cliente secreto”, desde o ano passado cresceu mais de 150%. Atualmente, a Shopper Experience atende TAM, Bradesco, Hipercard, Walmart, C&A, Carrefour, STB, resortes e hotéis.

Fonte: Camila Abud, Jornal DCI